Só me falta sombra e água fresca


Domingo , 27 de Novembro de 2005


Tudo tem uma primeira vez... espero que nem tudo!

Estou começando a achar que a Facom vai me fazer experimentar algo que nunca experimentei antes. Estou resistindo ao máximo, mas as chances de escapar não são grandes... minha primeira prova final pode estar a caminho. A culpa da minha incompetência está no mesmo patamar da fatalidade.

Desespero se tornou o meu sobrenome neste final de semestre. Nunca tive um semestre tão puxado antes... e olha que tenho 13 para comparar! O pior é saber que minha aflição reside em uma das melhores disciplinas que já tive. O clímax foi ler, entender, e criticar um livro de capa roxa, título laranja e folhas amarelas. Antes de abrir, você já percebe que o autor é excêntrico, exibicionista, confuso. Dediquei-me à tarefa árdua que me foi designada e cheguei a conclusão de que esse cidadão era um filósofo de botequim mas se achava o máximo. Me disseram que ele morreu... desconfiaria de alguém da minha turma, se fosse algo recente, mas como não é... o professor pode ser suspeito....

Escrito por Conça às 20h34
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Sábado , 19 de Novembro de 2005


Com relação às optativas da faculdade, tenho a sensação de que sempre escolho a pior. Não que eu tenha excelentes opções mas seria bom ficar com a sensação de "dos males, o menor". Com a optativa deste semestre desenvolvi um sentimento de ódio desde a primeira aula. Para completar a minha angústia com tamanha chatice em uma aula só, a turma é composta de amebas disfarçadas de seres humanos. Em grande parte, a classe é formada de alunos do primeiro e segundo semestre, muitos ainda deslumbrados com o resultado do vestibular e alguns já contaminados com o espírito faconiano de se achar o máximo.

Em uma das aulas mais "eletrizantes" do semestre, ao invés de se discutir a importância do planejamento nas organizações, a turma discutia se planejar é chato ou não. Foi lindo!

Em outra aula magnífica, uma garota duvida veementemente de que um produto antes de ser lançado no mercado passe por testes e pesquisas junto ao consumidor. O mais engraçado é que o professor não tinha contra-argumentos embasados, mas "achava" que os testes são necessários. Fiquei calada ouvindo a coleção de absurdos da aluna tão perspicaz, mas o professor suplicou a ajuda da publicitária aqui para resolver o impasse.

Entretanto, por mais fabulosas que tenham sido as aulas, nada se compara aos seminários... ao falar de marcas e identidade empresarial, uma aluna diz que "no começo as havaianas eram utilizadas por pessoas de baixo nível mas depois isso mudou". Fiquei triste ao perceber que eu era uma pessoa de baixo nível... será que eu mudei ou somente as havaianas??? E, ontem, uma faconiana autêntica, começa o seminário sobre marketing eleitoral dizendo "vou deixar bem claro a estrutura da minha apresentação". Achei que a garota era uma palestrante experiente mas depois percebi que "deixar claro" para ela é como a vírgula. Há outras palavras que a moça gosta também. Tudo para ela é "eloquente" e "enobrecedor". Eu não aguentava mais ouvir a repetição quando ela disse que "o candidato é eleito pela massa e deve fazer o que elas esperam". Achei muito interessante a forma que ela utilizou para citar que a maioria do eleitorado é feminino. Mas este ainda não foi o clímax... a jovem falou que Jânio Quadros, um "fator do populismo, (cabe um parêntese aqui para explicar que eu ainda não entendi o que isso significa) ia para os comícios levando sanduíche de MORTANDELA". Maravilha!!!!!! E ainda temos outro ponto fundamental. Ao término da apresentação, o professor salientou que o grupo não deveria chamar o capítulo de um livro cujo autor era isso e aquilo de "apostila". Fechou com chave de ouro.

Não estou a criticar por criticar. Há algumas pessoas na faculdade que se acham o máximo e cultivam a imagem de intelectuais de plantão, imagem que se desfaz com muita facilidade, como eu narrei acima. Isso me faz lembrar da parábola da lata, aquela que diz que as latas vazias são as que fazem mais barulho. É bom parar para pensar se nossa lata está mesmo cheia.

 

 

Escrito por Conça às 13h12
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