Só me falta sombra e água fresca


Domingo , 26 de Fevereiro de 2006


Domingo de Carnaval

Domingo de carnaval e uma soteroplitana que mora na cidade em que nasceu está em casa, escrevendo no blog... por opção!!!! Multidão, álcool, brigas, som alto, gritaria, calor, os desafinos das "estrelas" da música baiana e confusão são coisas que não me incentivam a sair de casa.

A chamada "axé music" está cada vez mais decadente, os compositores conseguem se superar a cada criação, com tanta futilidade e pobreza nas letras e nas melodias. Os foliões, a cada ano, tentam quebrar seus próprios recordes de beijos na boca, roupas mais curtas e consumo de bebidas alcóolicas. Os blocos cobram cada vez mais caro por um pedaço de pano de má qualidade e sem criatividade. Os trios independentes não são independentes coisa nenhuma e são figuras cada vez mais raras no reinado de Momo. A Praça não é mais do povo...

Vão me chamar de moralista, exagerada, antiquada. O blog é meu e a Constituição me garante a liberdade de expressão, portanto escrevo o que eu quiser. Não estou criticando por criticar, na verdade eu não gosto de ver que o carnaval se transformou em um comércio lucrativo e que a festa popular de expressão cultural ficou no passado. Claro que temos que acompanhar as tendências mas isso não significa acabar com as nossas raízes.

Quem quiser defender que ainda há algumas manifestações isoladas do que víamos antigamente vai só reforçar meus argumentos, são manifestações isoladas. E que bom que elas existem.

Neste Carnaval ainda tive o desprazer de ver pela televisão o líder do U2 cantando "Chupa Toda". No dia seguinte ele não apareceu no trio como era previsto. Certamente ficou sabendo o que fez na noite anterior com toda a inocência... acho que ele não volta mais depois dessa sacanagem...

Eu admiro o carnaval do Rio. Samba com letras sem duplo sentido, desfile propriamente dito, organização, espetáculo e a torcida pela conquista do campeonato como se fosse uma disputa de futebol. Não é perfeito, claro, mas eu acho muito melhor que o carnaval daqui.

Resumindo, não estou negando minha baianidade, só não a vejo refletida no carnaval soteropolitano... não sei o que acontece mas quando a bateria das escolas de samba começa a tocar eu me arrepio até a alma. Deve ser minha "carioquicidade nagô"...

Escrito por Conça às 18h57
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Sábado , 11 de Fevereiro de 2006


Suco de laranja sem laranja

Que David Copperfield que nada... o maior ilusionista de todos os tempos é Ronald McDonald's! Descobri isso há algumas semanas.

Os boatos sobre a carne de gato, minhoca ou sei lá mais o que utilizada nos sanduíches  (iches) podem ser apenas boatos mas... fonte segura, um funcionário desta fábrica de venenos, me contou que o suco de laranja não é suco de laranja. Fiquei indignada e surpresa. O ilusionismo nesse caso ultrapassa o visual e atinge o gustativo. Segundo o funcionário, mesmo com aqueles alvéolos que encontramos no suco, não há uma só laranja em qualquer unidade do M amarelinho. E eu que achava que consumia a única coisa saudável que eles vendem, descobri que consumo uma gosma dissolvida em água (espero que pelo menos a água seja filtrada ou fervida!).

A notícia me deixou tão assustada, que eu perguntei logo se o peixe do McFish era peixe mesmo e ele me disse que é. Alívio! As quatro únicas vezes em que me deixei influenciar por companhias gulosas e "insaudáveis" e consumi um sanduíche (iche) do tio Ronald, foi um McFish... feito com peixe de verdade mas com um pão fabricado na Argentina (que dura até três meses!!!) e suco de laranja!

Esqueci de perguntar dos sorvetes... será que a casquinha é de papelão? Definitivamente, McDonalds nunca mais. Se é para morrer envenenada por alimentos eu prefiro o acarajé super higiênico que encontramos em alguns locais da cidade...

Escrito por Conça às 22h24
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Sexta-feira , 03 de Fevereiro de 2006


Sabe aquela da loira?

Parece piada...

Deixa eu começar esclarecendo. Não tenho nada contra loiras, morenas, ruivas, ou seja lá qual for a cor dos cabelos pois, para mim, o ser humano é muito mais do que isso. A pessoa em questão teria o mesmo comportamento e brilhantismo se o cabelo fosse vermelho, preto, azul, verde, roxo... o problema está na essência e não na aparência!

Agora vamos à narrrativa (certa vez uma professora de redação me disse que eu escrevo boas narrativas, que eu consigo prender a atenção do leitor...será que ela tinha razão?... eu e os parênteses novamente... vamos saindo...). Coloquei esse ponto para começar de novo... no trabalho, a loira levanta-se da cadeira para atender ao telefone. Enquanto isso, outro colega se aproxima e abre a tela do ambiente de rede do windows. Ao retornar, a moça vê a tela do ambiente de rede e diz "é melhor mudar de computador, o suporte remoto está trabalhando nesta máquina, olha só... tem um monte de computadorzinho aqui..."

Parece piada...mas não é! A mesma pessoa ficou surpresa, estarrecida, deprimida até, quando viu que a amiga mudou de agenda mesmo sem ter terminado de usar a anterior. Ela não entendia a necessidade de comprar outra se na primeira ainda havia páginas em branco. Uma criança de dez anos iluminou as trevas do raciocínio da loira quando disse "ela trocou de agenda porque a outra era de 2005 e esta é de 2006." Precisa falar mais alguma coisa?

Escrito por Conça às 22h48
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Feminilidade

Os presentes ofertados à Yemanjá ontem deixaram meus neurônios inquietos mais uma vez. Até mesmo um ente religioso, feminino, tem mais vaidade que eu.  Em um raciocínio pouco lógico concluí que isto é uma contradição, pois no sincretismo religioso Yemanjá é Nossa Senhora da Conceição... o nome que me deram quando eu nasci. Minha preocupação com a aparência é praticamente inexistente. Os quilinhos a mais me incomodam muito mais pela questão da saúde do que da estética.

Eu sou a única mulher que eu conheço que é satisfeita com o próprio cabelo, que não gasta horas e fortunas em salões de beleza, que não conhece os lançamentos da indústria de comésticos, que se sente incomodada quando usa maquiagem, que se arruma primeiro e espera o namorado... Não sei comprar cremes, escolho xampu pelo perfume, os nomes dos diversos tratamentos para pele e cabelo em geral são meus desconhecidos. Ignoro nomes de perfumes, os que tenho geralmente são presentes de pessoas que não me conhecem bem e que acham que "toda mulher gosta de ganhar perfume". Alguns eu até gosto da fragrância e quando não me fazem ter crises de espirro, eu guardo para usar em raras ocasiões.

Somando-se isso tudo que descrevi ao imenso interesse que tenho pelo futebol, parece-se configurar um caso de pessoa que nasceu com o sexo trocado. Entretanto, eu tenho (até em excesso, embora muitas vezes eu lute para esconder) o que considero as características mais fortes e determinantes da feminilidade: a delicadeza, a sensibilidade e, principalmente, o instinto materno.

 

Escrito por Conça às 22h32
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