Domingo de carnaval e uma soteroplitana que mora na cidade em que nasceu está em casa, escrevendo no blog... por opção!!!! Multidão, álcool, brigas, som alto, gritaria, calor, os desafinos das "estrelas" da música baiana e confusão são coisas que não me incentivam a sair de casa.
A chamada "axé music" está cada vez mais decadente, os compositores conseguem se superar a cada criação, com tanta futilidade e pobreza nas letras e nas melodias. Os foliões, a cada ano, tentam quebrar seus próprios recordes de beijos na boca, roupas mais curtas e consumo de bebidas alcóolicas. Os blocos cobram cada vez mais caro por um pedaço de pano de má qualidade e sem criatividade. Os trios independentes não são independentes coisa nenhuma e são figuras cada vez mais raras no reinado de Momo. A Praça não é mais do povo...
Vão me chamar de moralista, exagerada, antiquada. O blog é meu e a Constituição me garante a liberdade de expressão, portanto escrevo o que eu quiser. Não estou criticando por criticar, na verdade eu não gosto de ver que o carnaval se transformou em um comércio lucrativo e que a festa popular de expressão cultural ficou no passado. Claro que temos que acompanhar as tendências mas isso não significa acabar com as nossas raízes.
Quem quiser defender que ainda há algumas manifestações isoladas do que víamos antigamente vai só reforçar meus argumentos, são manifestações isoladas. E que bom que elas existem.
Neste Carnaval ainda tive o desprazer de ver pela televisão o líder do U2 cantando "Chupa Toda". No dia seguinte ele não apareceu no trio como era previsto. Certamente ficou sabendo o que fez na noite anterior com toda a inocência... acho que ele não volta mais depois dessa sacanagem...
Eu admiro o carnaval do Rio. Samba com letras sem duplo sentido, desfile propriamente dito, organização, espetáculo e a torcida pela conquista do campeonato como se fosse uma disputa de futebol. Não é perfeito, claro, mas eu acho muito melhor que o carnaval daqui.
Resumindo, não estou negando minha baianidade, só não a vejo refletida no carnaval soteropolitano... não sei o que acontece mas quando a bateria das escolas de samba começa a tocar eu me arrepio até a alma. Deve ser minha "carioquicidade nagô"...


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