Esse post foi escrito durante uma aula, na faculdade. Talvez uma tentativa de vencer o sono, ou de me sentir um pouco menos deprimida... tirem suas próprias conclusões.
"Até o dia 06 de março deste ano, eu concordava com Cazuza na questão 'o tempo não pára'. Mas aí, começaram as aulas do semestre na faculdade e... percebi que isso não é uma verdade absoluta. Às segundas e quartas (de manhã) o tempo pára e a aula insuportável torna-se também interminável! Um minuto parece uma hora!
A capacidade docente de emitir sons desconexos, ao invés de frases inteligíveis, é fantástica! Superação a cada dia! E nós, alunos, ali parados, inertes, apáticos, deprimidos, revoltados. Com a consciência de que algo precisa ser feito mas sem ferramentas para lutar... Para o 'professor', o tempo também parou. Preso em seu mundo paralelo, ele não percebe que desempenha o papel de 'deseducador' e passa a vida sorrindo...
Procuro sempre enxergar um aspecto bom nas coisas e, nesse caso, me esforço bastante para acreditar que pode ser bom ser totalmente responsável por minha formação na área desta disciplina. Eu terei que descobrir os bons autores e o que mais se faça necessário para aprender alguma coisa. Pelo menos, ao final do semestre, terei vivência o suficiente para escrever o livro de auto-ajuda ' quando a profissão te obriga a conviver com pessoas insuportáveis, haja profissionalmente'.
Agora vou voltar a fingir qe presto atenção na aula... aula?????? É... ele vai fingindo que ensina, como fez a vida toda, e a gente vai fingindo que aprende. O problema é que não fiz isso a vida toda..."
O sentimento indescritível, que na verdade é uma mistura de sentimentos, não é exclusivo meu. A turma se sente assim, meio perplexa, meio indignada, meio deprimida. Conversamos com o coordenador do colegiado, comunicamos que estamos redigindo um documento de insatisfação para o diretor da faculdade. Ele disse que outras turmas fizeram isso antes de nós e que isso resultou em um mestrado para o cidadão. Nada adiantou. As aulas não passaram a ser menos odiosas por causa disso. A única solução é a saída dele da escola, mas, a faculdade é pública e o cara é concursado. A disciplina que ele ensina só existe na Facom. Com isso, parece que os alunos terão que suportar esse martírio até o dia da aposentadoria do "mestre".
Apesar dessa perspectiva nada animadora, ainda não desistimos, nossa formação está em jogo. Vamos protestar até o fim. Se continuar na mesma, pelo menos teremos a consciência de que tentamos.

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