Que saudade de meu blog!!! Fui obrigada a desaparecer por uns tempos. Quisera eu que fosse por causa do final de semestre na faculdade ou da Copa do Mundo! Não, o motivo é que, apesar de parecer, a minha paciência não é infinita e, o meu computador resolveu testar todos os limites da minha calma, tolerância e compreensão. Depois de várias rodadas de negociação, não teve jeito. Ele resolveu mesmo entrar em greve. Não foi uma sábia decisão, pois, ele será substituído definitivamente.
Foi bastante interessante passar uns tempos fora da rotina tecnológica. Descobri que sou capaz de sobreviver sem blog, sem orkut, sem msn... mas não sem e-mail e não sem escrever. Talvez fosse interessante traçar mais algumas linhas sobre isso, mas eu quero falar da Copa do Mundo. Então, sugiro que todos se afastem uma semana da internet para viver essa experiência. Claro que a internet tem muita coisa boa, entretanto, para mim, foi muito bom constatar que não sou viciada nisso e que não vou precisar desembolsar fortunas com tratamentos psicológicos.
E, vamos falar da Copa. Demorei a entrar no espírito da competição, talvez porque eu estivesse pessimista quanto ao destino da seleção canarinho depois que eu assisti aos jogos amistosos de preparação para o mundial. Ou, talvez, porque imaginei ter que suportar Galvão Bueno em mais algumas narrações brilhantes... O fato é que não me entusiasmei com as estatísticas, probabilidades, combinações, rivalidades, boatos, promessas... A mobilização para a estréia da seleção foi bonita, como sempre. É incrível como o verde e o amarelo tomam conta da cidade.
A péssima exibição dos atletas no primeiro jogo foi “maquiada”. Preferiram creditar méritos e mais méritos ao futebol croata do que reconhecer a falta de produtividade do elenco brasileiro. A esperança era que o futebol da seleção evoluísse durante os jogos. Contra a Austrália, nova partida sonolenta. O que diziam agora? “Show é ganhar”, nas palavras de Parreira. Classificado para as oitavas de final, graças a insights momentâneos, o Brasil entra em campo para enfrentar o Japão. Com cinco modificações na equipe, pela primeira vez a seleção exibe um futebol penta campeão do mundo. Contra Gana, pelas oitavas de final, os primeiros sinais de que a despedida da Copa estava próximo. Jogo truncado no meio de campo e pouca objetividade no ataque, bola rola para um lado, para o outro, e volta para o outro lado e retorna e... cadê o chute? A sorte de Gana ter uma péssima pontaria e da nossa funcionar melhor nas poucas vezes que tentamos, nos levaram para a etapa seguinte, mas, nenhum time é campeão do mundo somente contando com a sorte, e, a inspiração tem que estar sempre acompanhada da transpiração, ou não funciona.
E, finalmente, a partida contra a França. Antes do jogo, meu namorado perguntou quais eram as minhas expectativas, e, eu respondi de maneira bem sincera: não dormir. E eu não dormi, afinal a partida tinha lances interessantes, o jogo de um lado só do campo, um craque fazendo jogadas mágicas. Seria a seleção novamente praticando o bom futebol e Ronaldinho Gaúcho voltando a encantar o mundo? Todo mundo viu que não, era a França sufocando e Zidane em dia de maestro. Nunca vi uma seleção tão apática quanto o time brasileiro de ontem, aliás, a gente não chegou a formar um time, não no sentido competitivo da palavra. O resultado da partida, quem diria, foi justo, mas o placar não refletiu a superioridade francesa no gramado. Os brasileiros viram a França jogar... todos nós, inclusive os que estavam disputando com eles...
Parreira duramente criticado, até por mim, que o defendi das mesmas críticas na Copa de 1994. Na época, as palavras eram as mesmas: que o time não se movimentava bem, não tinha comunicação entre meio-de-campo e ataque , que as boas jogadas surgiam de momentos esporádicos e que a defesa se portava satisfatoriamente. Eu defendia, dizia que o time tinha suas limitações e que o título seria um aspecto positivo na renovação do futebol e no ânimo do brasileiro. Agora, o que eu posso dizer é que Parreira tinha os melhores jogadores do mundo sob seu comando mas não teve a capacidade de fazer deles um time. Deve ter sido a ausência do Dunga, o comandante de fato da equipe tetra campeã nos Estados Unidos.
Fiquei feliz pelo recorde de Ronaldo, o fenômeno, maior artilheiro da história dos mundiais e triste pelo Ronaldo, o gaúcho, estar jogando fora da posição em que rende mais e que lhe deu o título de melhor do mundo por duas vezes. Agora nos resta ter saudades da “família Scollari” de 2002 e adiar o sonho do hexa. Em um ano de eleição que sucede outro cheio de escândalos e decepções políticas, é até bom não ter um título no futebol que nos faça desviar os olhares da urna para o gramado.