Se forem todos assim...
Ontem foi meu primeiro dia de férias no trabalho. Não consegui descansar nada, nem mesmo repor as horas de sono que perdi na noite anterior fazendo trabalho da faculdade. A cada meia hora meu celular tocava com alguém do trabalho pedindo dicas, tirando dúvidas ou querendo me comunicar alguma coisa. Fantástico, não? Os comentários da "rádio corredor" eram de que eu estava tirando férias agora para acompanhar a visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Se eu acompanhasse seria uma mera cobertura jornalística, em um viés não muito simpático. Acho incrível as pessoas acharem lindo que as suas doações para a igreja se transformem em roupa de seda indiana, hotéis de luxo e mais não sei o que para o Papa. É por essas e outras que eu prefiro fazer doações a instituições beneficentes de boa reputação.
Passei o dia ontem entre esses telefonemas e o trabalho da faculdade que começou a terminar no dia anterior. Como cada um da equipe fez uma parte para depois juntar, o trabalho estava com quase 15 páginas, quando deveria ter no máximo 10 (sugestão imposta pelo professor). Nos reunimos na faculdade de manhã para ler o que já estava pronto e debater as questões mais importantes.
Vaidade x Praticidade - 1º round
Dois colegas quase entram em luta corporal porque a vaidade de um não concordava com a praticidade do outro. A vaidade: "Se cortar meu texto vai perder todo o sentido, ele já foi escrito de maneira simplificada, não há como tirar nenhuma vírgula..." A praticidade: "se reduziu a parte de todo mundo, vai ter que reduzir a sua também, sempre há o que cortar". Resultado: das 3 páginas que a vaidade escreveu, a particidade deixou 1 e mais um pouquinho. Ah, a praticidade não era eu, embora eu estivesse jogando nesse time.
A vaidade era um exército de um homem só, todos apoiavam praticidade, que tinha a seu favor também a necessidade de adequar o trabalho ao número de páginas. A vaidade propôs que conversássemos com o professor e ouviu um sonoro "não" mais ensaiado que coral das missas de domingo. Depois de brigarem como duas crianças brigam para saber qual é o brinquedo mais legal, vaidade e praticidade resolveram pedir que o restante da equipe julgasse o mérito da disputa. Com doses cavalares de bom senso em suas argumentações lógicas, a praticidade venceu a birra da vaidade por todos os votos contra um. As cenas da batallha foram sensacionais. Os não envolvidos diretamente resolveram aguardar o desfecho e apreciar aquele embate tão divertido. Eu pensava: se o destino colocar esses dois trabalhando no mesmo veículo de comunicação eu tenho que estar lá também, para me divertir a cada reunião de pauta.
Vaidade x Praticidade - 2º round ou O dia em que Vaidade resolveu dominar o mundo?
Quando chegamos em casa, vimos que as reduções que fizemos de manhã ainda não eram suficientes, o trabalho chegou no limite das 10 páginas, mas ainda faltava a conclusão. Eis que cabe a mim junto com praticidade, essa tarefa. Corta daqui, muda uma palavra ali, junta parágrafo. Pronto, conseguimos. Fazer todas essas considerações por msn. Mais uma vez: fantástico, não?
À noite, depois de passar quase o dia inteiro lendo e relendo o trabalho, nos reunimos no msn para uma revisão final. Quase se inicia uma luta virtual. Motivos: uma das meninas (ainda não sei qual característica a define melhor) levava muito tempo sem dar sinal de vida e começamos a desconfiar que ela estava assistindo "Paraíso Tropical". Praticidade, vaidade e eu éramos os outros integrantes on-line. Praticidade e eu estávamos cansados de computador e nem ligamos muito mas vaidade...
E eis que a integrante não "substantivada", propõe a divisão de um parágrafo. Segundo ela, os manuais de redação dizem que o parágrafo só pode ter até 6 linhas e que tínhamos que dividir os que passassem disso. Sinceramente, eu não estava muito animada para discutir. Ela, praticidade e vaidade sim. Eu só olhava a rolagem automática da tela e analisava o poder de argumentação de cada um. Sem chegar a um consenso, houve a proposta de uma votação. E o reultado? Empate!!!!!!! Como diria o repórter da TV Bahia "empate com diferença de dois gols".
Bateu desespero, pensei que ia começar tudo de novo. Mas, vaidade mudou o voto (isso mesmo, mais uma vez: fantástico, não?) e a união dos parágrafos não foi desfeita. Final feliz? Ainda não. Faltava a conclusão. A que um outro colega fez não agradou, mas eu consegui salvar um parágrafo bom. E começa uma nova série de discussão sobre como aproveitar tal parágrafo. Quase dormindo, ainda vi quando praticidade disse que ia se ausentar para escrever a conclusão e mandava pra gente depois.
A expulsão
Ainda teve um momento constrangedor a mim reservado. Escrever um e-mail para uma das integrantes da equipe comunicando que ela estava afastada por não participação. Ela pediu ao professor para entrar na nossa equipe. Concedido. Depois pediu para fazer a conclusão. Concedido. Depois...não pediu mais nada, não falou mais nada, não respondeu nenhum dos milhões de e-mails que trocávamos por dia, não apareceu nas aulas e nem nas reuniões. E lá fui eu fazer um e-mail comunicando a ela a expulsão, em nome da equipe. Nem esse ela respondeu. Difícil situação de dizer tal coisa sem ser grosseiro, sem expressar raiva. Fiz o melhor que pude. Praticidade queria mandar um texto mais ou menos assim: você não fez nada e não vai ganhar nota de graça, está fora da equipe sem direito a nenhum tipo de reclamação. Sem comentários.
Vaidade x Praticidade - 3º round
E um outro momento "enriquecedor" foi a discussão sobre a utilização de trechos de um documentário (em DVD) para ilustrar o que estivermos falando. Primeiro, a briga era usar ou não usar. Depois, a dona do documentário (vaidade, por sinal) informou que era difícil selecionar as cenas porque o DVD não tinha time-code e praticidade não queria acreditar em tamanha barbaridade. Quase brigam mais uma vez, será que termina em casamento? Em seguida, a sugestão de usar um gravador de DVD e selecionar as cenas. Praticidade se ofereceu para gravar mas sem dar garantias do serviço e aí começa uma nova discussão. A dona do DVD diz que fez um roteiro de gravação e praticidade diz que não entendeu nada. Vão ter que conversar pessoalmente. Não vou estar presente, uma pena... depois eu fico sabendo se eles conseguiram se controlar ou entraram em luta corporal.
E assim foi meu primeiro dia das merecidíssimas férias. Acordei cedo hoje para ver a tal conclusão. Fiquei feliz em ver que ela estava pronta mas triste de ver que tenho sugestões de mudanças. Como os outros também devem ter, nova briga virtual me aguarda... E enquanto escrevia esse post (não na tentativa do Guiness mas querendo deixar riqueza de detalhes...) meu celular já tocou. Precisa dizer que era do trabalho? Será que meu segundo dia de férias será igual ao primeiro?????
Vou tentar descansar um pouco, mais tarde temos que concluir a conclusão da conclusão!!! Amanhã é a apresentação e a saga termina. Será?